terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Me Chame Apenas De Jesus - Por Max Lucado

Muitos dos nomes na Bíblia que se referem ao Senhor são imponentes e augustos: Filho de Deus, Cordeiro de Deus, Luz do Mundo, A Ressurreição e a Vida, Estrela da Manhã, Aquele que Devia Vir, Alfa e Omega.

Essas são frases que esticam os limites da linguagem humana num esforço para capturar o que é incapturável, a grandeza de Deus. E por mais que tentem elas nunca satisfazem. Ouvi-las é quase que ouvir uma banda do Exército de Salvação tocar na esquina o "Messias" de Handel por ocasião do Natal. Uma boa tentativa, mas não funciona. A mensagem é majestosa demais para o meio de comunicação.

O mesmo acontece com a linguagem. A frase "Não há palavras para expressar..." é a única que pode ser honestamente aplicada a Deus. Nenhum nome lhe faz justiça.

Mas existe um nome que recorda uma qualidade do Mestre que confundiu e compeliu aqueles que o conheceram. Ele revela um lado dele que, quando reconhecido, é suficiente para fazer com que você se prostre.

Ele não é pequeno nem grande demais. E um nome que se ajusta como o sapato se ajustou ao pé de Cinderela.

Jesus.

Nos evangelhos é o seu nome mais comum — usado quase 600 vezes. E era mesmo um nome comum. Jesus é a forma grega de Josué, Jesua e Jeosua — todos nomes familiares no Velho Testamento. Houve pelo menos cinco sumo sacerdotes conhecidos como Jesus. Os escritos do historiador Josefo se referem a cerca de vinte pessoas chamadas Jesus. O Novo Testamento fala de Jesus, o Justo, amigo de Paulo,  e o feiticeiro de Pafos é chamado Bar-Jesus

Alguns manuscritos dão Jesus como o primeiro nome de Barrabás. "A quem quereis que eu vos solte, a Jesus Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo?"

Qual é o ponto? Se Jesus viesse hoje, o seu nome poderia ser João, Beto ou Carlos. Se ele estivesse aqui hoje, é duvidoso que se distanciasse com um nome elevado como Reverendo Santo Divindade Angelical III. Não, quando Deus escolheu o nome que seu filho teria, ele escolheu um nome humano. Preferiu um nome tão típico que aparecesse duas ou três vezes em qualquer chamada de escola.

"O Verbo se fez carne", disse João, em outras palavras.

Ele era palpável, acessível, alcançável. E, mais ainda, ele era comum. Se estivesse aqui hoje você provavelmente não o notaria quando estivesse em meio a uma multidão fazendo compras. Ele não faria as cabeças se voltarem por causa das roupas que usava ou pelas jóias com que se adornava.

"Me chame apenas de Jesus", quase se podia ouvi-lo dizer.

Ele era o tipo de pessoa que você convidaria para assistir um jogo de futebol em sua casa. Ele brincaria no chão com seus filhos, cochilaria no seu sofá, e faria churrascos em sua grelha. E quando você falasse, ele ouviria como se tivesse todo o tempo da eternidade.

Uma coisa é certa, você o convidaria de novo.

Vale a pena notar que os que o conheciam melhor se lembravam dele como Jesus. Os títulos, Jesus Cristo e Senhor Jesus só aparecem seis vezes. Os que andaram com ele, não se lembravam dele com um título ou designação, mas com um nome — Jesus.

Pense nas implicações. Quando Deus decidiu revelar-se à humanidade, qual o meio que usou? Um livro? Não, isso foi secundário. Uma igreja? Não. Isso foi uma conseqüência. Um código moral? Não. Limitar a revelação de Deus a uma lista fria de "faça" e "não faça" é tão trágico como olhar para um mapa rodoviário e dizer que você viu as montanhas.

Quando Deus decidiu revelar-se, ele fez isso (surpresa das surpresas) através de um corpo humano. A língua que ressuscitou os mortos era humana. A mão que tocou o leproso tinha sujeira debaixo das unhas. Os pés sobre os quais a mulher chorou eram calosos e empoeirados. E suas lágrimas... oh, não se esqueça das lágrimas... elas vieram de um coração tão quebrantado como o seu ou o meu jamais o foram.

"Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas" (Heb 4:15)

As pessoas se aproximavam então dele. Puxa, como o procuravam! Elas surgiam à noite; tocavam nele quando caminhava pelas ruas; seguiam-no até o mar; convidavam-no para suas casas e colocavam seus filhos aos pés dele. Por quê? Porque ele se recusou a tornar-se uma estátua numa catedral ou um sacerdote num púlpito elevado. Ele escolheu em vez disso ser Jesus.

Não há sequer uma sugestão de alguém que temesse aproximar-se dele. Havia alguns que o ridicularizavam. Havia outros que o invejavam. Outros ainda que não o compreendiam. E outros que o reverenciavam. Mas não havia ninguém que o considerasse santo demais, divino demais, ou celestial demais para ser tocado. Não houve uma pessoa sequer que relutasse aproximar-se dele com medo de ser rejeitada.

Lembre-se disso.

Lembre-se disso da próxima vez que ficar surpreso com suas próprias falhas.
Ou da próxima vez em que acusações ácidas fizerem feridas em sua alma.
Ou da próxima vez em que olhar para uma catedral fria ou ouvir uma liturgia sem vida.
Lembre-se. É o homem que cria a distância. É Jesus quem constrói a ponte.

"Me chame apenas Jesus."

Max Lucado 
 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Hábitos - Por Max Lucado

Gosto da história do menino que caiu. Quando a sua mãe lhe perguntou o que havia ocorrido, respondeu: “Não sei. Acho que fiquei perto demais do local onde caí”. O mesmo pode ocorrer facilmente com a nossa fé. É tentador permanecer no lugar aonde chegamos, e nunca sairmos dali.

O crescimento é a meta dos cristãos. A maturidade é obrigatória. Se uma criança parasse de se desenvolver, os seus pais ficariam imediatamente preocupados, certo? Os médicos seriam chamados. Exames seriam feitos. Quando uma criança para de crescer, algo está errado.

Quando um cristão para de crescer, é necessário uma ajuda imediata. Se você for o mesmo cristão que era há alguns meses, cuidado. É bom que faça uma avaliação geral. Não em seu corpo, mas em seu coração. Não uma avaliação física, mas espiritual.

Posso sugerir-lhe uma coisa?
Em primeiro lugar, adquira o hábito de orar: “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração” (Rm 12:12)

Em segundo lugar, o hábito de estudar. “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” (Tg 1:25).

Em terceiro lugar, o hábito de contribuir: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar” (1 Co 16:2).

E por fim, o hábito da comunhão: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia” (Hb 10:25).

Lá estão eles... costumes que vale a pena possuir. Não é bom saber que alguns hábitos são bons para sua vida? Torne-os parte de seu dia-a-dia e de seu crescimento. Não cometa o erro do menino. Não fique perto demais do local onde você pode cair. É arriscado descansar perto dos limites.

Max Lucado

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Teologia Pastoral - Parte 01 - Por William Lessa

INTRODUÇÃO “ASPECTOS GERAIS”

Teologia Pastoral ou Pastorologia é a ciência que trata da Obra Pastoral.
O objetivo do estudo é ajudar o aluno/obreiro a descobrir, através de referências bíblicas do Novo Testamento, sua base para uma organização estrutural, convencional eclesiástica, bem como aprender de forma eficaz a forma de governo eclesiástico.

A Igreja caracterizada no Novo Testamento


A igreja da era apostólica era uma igreja que tinha seu rumo e avanços determinados por si própria, isto é, tinha dentro de si a vitalidade suficiente para estender-se e evangelizar lugares vizinhos. Em segundo lugar, governava-se a si mesma, isto é, por homens capacitados pelo Espírito Santo, escolhidos dentre os convertidos no local. Em terceiro lugar, se auto sustentava, não dependia de auxílio financeiro externo para atender suas necessidades.

O Dinamismo da igreja do Novo Testamento

Os métodos e regras existem freqüentemente nos nossos trabalhos locais. Embora sejam bons, muitas vezes não dão resultado na igreja. A mecânica do bom processo deve vir seguida do dinamismo apostólico. Sem métodos corretos, um avivamento poderoso pode apagar-se ou tomar-se ineficiente. Sem o poder espiritual, a igreja, apesar de bem organizada secularmente, não consegue avançar. O mecanismo sem dinamismo da igreja compara-se a um motor bem ajustado, pronto para trabalhar; mas sem o combustível e a centelha para dar a partida.

No livro de Atos dos Apóstolos encontramos o padrão autêntico para a conduta da igreja neotestamentária. Devemos recordar que as epístolas do apóstolo Paulo e de outros foram escritas às igrejas que viviam no ambiente do livro de Atos e que experimentaram os acontecimentos narrados pelos nossos irmãos na igreja primitiva. Um estudo minucioso desse livro muito nos revelará acerca do poder que motivou a igreja  no início de sua constituição. A igreja primitiva vivia em um ambiente de oração. O livro de Atos relata-nos no capítulo primeiro e versículo quatorze que a igreja perseverava-se em oração. No capítulo 2, os apóstolos observavam o momento da oração, onde todos reunidos buscavam os mesmos interesses. Nos capítulos 3 e 4 toda a igreja levantou a voz a Deus em oração. Em todo o relato sagrado observamos que a oração saturava a atmosfera da Igreja Primitiva.

O poder do Espírito Santo na Igreja Primitiva era fator predominante para obtenção de sucessos ministerial. Os discípulos aguardavam a vinda do Espírito Santo e todos foram cheios de sua plenitude  (Atos 1:8). 

O autor do Livro de Atos teve muito cuidado em relatar a obra do Espírito Santo. Narrou como veio aos samaritanos, sobre os da casa de Cornélio, e mais tarde, sobre os discípulos em Éfeso. Os apóstolos foram inspirados para falar, os diáconos foram designados a evangelizar, os apóstolos e os diáconos foram dirigidos a seus campos de trabalho e orientados em suas atividades pelo mesmo Espírito.

O Espírito Santo realizava sinais e maravilhas convencendo a multidões, concedia poder às igrejas, convencia e inspirava os crentes a uma liberalidade maravilhosa de até mesmo dar seus bens materiais para a obra do Senhor. Em suma, o Espírito Santo era o condutor geral que alimentava a igreja e que continua a estabelecer o mesmo princípio, invisível, mas real.. O Livro de Atos poderia muito bem ser chamado: "Os Atos do Espírito Santo", “Cheios do Espírito Santo”, “Plenos no Espírito Santo” e “Dinamites no Espírito Santo”.

Para que possamos experimentar os mesmos resultados dos nossos irmãos da Igreja Primitiva, devemos captar de novo aquele ambiente espiritual da época apostólica. Porém, alguém poderá responder que as bênçãos experimentadas pela primeira igreja pertenciam a uma época passada e que é impossível experimentá-las hoje. Convém enfatizarmos a verdade: encontramos-nos numa dispensação, da qual viveram também os apóstolos. O Espírito Santo ainda se encontra no mundo e Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Ao aprender as Escrituras notamos que Deus quer fazer uma grande obra, através do Espírito Santo, neste momento em que se aproxima a hora de encerrar a era da Igreja. Ele prometeu derramar o seu Espírito sobre toda a carne nos últimos dias.

Felizmente, em diversas regiões do mundo, notamos um crescente aumento de conversões de almas e de avivamentos que nos faz lembrar dos tempos bíblicos com milagres, onde as pessoas experimentam de forma pessoal e especial a verdade - que é o evangelho e a plenitude do Espírito Santo. O abatimento espiritual de muitas igrejas atuais não decorre do enfraquecimento do Evangelho quanto ao seu poder ou qualquer mudança dos propósitos de Deus. Esta debilidade espiritual é culpa nossa. É o resultado da pouca visão e fraqueza de fé. Peçamos a Deus para que nos livre de toda idéia falsa e nos guie como testemunhas do Cristo vivo e de seu Evangelho de poder neste trabalho de fundar igrejas (ou igreja) do Novo Testamento nestes dias.
Jesus disse:
"sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela", (Mt.16. 18). "E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, é confirmando a palavra com sinais que se seguiram. Amém" (Mc. 16:20).